Aquele sexo casual que virou só amor, e/ou, aquela paixão que virou só sexo, são provas de que abstinência não mata, mas deixa sequela. Creio que se nunca tivesse amado daquela vez, e que se nunca tivesse fudido tanto daquela outra vez, as coisas seriam diferentes agora.
O primeiro sintoma imediato é que desde esses dois incidentes que amor e orgasmo são dois vícios excludentes entre si na minha vida ( só consigo um se não estiver envolvido com o outro).
Nos últimos meses pensei ter achado a solução: alguém de quem a voz, o sorriso, o cheiro e as manias estão sempre em minha mente, e as pernas, a pele, os seios e o formato das costas me causa ereções. Depois de tanto tempo isso me pareceu muito novo, não era uma paixão infantil, nem era para ser só sexo, não era amor para vida inteira nem nada diferente disso.
Eis segundo sintoma, na ausência do sintoma primário, eu não soube como agir, eu não soube conquistar. Mesmo sabendo o quão lícito tais sentimentos são, eles pareciam tão convenientes para mim quanto pareciam parecer inconvenientes para quem não fosse eu.
Tudo que eu soube foi guardar tanto carinho e tanto tesão que começaram a sobrar e se misturar, ao ponto que não soube mais diferencia-los.
Agora é como se a minha fonte estivesse acabando, e todo o estoque está ficando velho e sem validade. Até que alguém dê valor a isso tudo eu vou ficando incapaz de amar e desejar.
Talvez seja assim que se perde vícios, quando vícios se vão.